Método NOVIDARO

Cinco etapas, um eixo: o indivíduo.

Nascido da prática, o método organiza a sessão sem endurecê-la. Três figuras contam como isso acontece: duas delas vêm do norte da Itália, com quinze séculos entre uma e outra. A terceira está no alto desta página, no N da marca.

Um traçado · O livro portátil · Uma letra

Método opera · As cinco etapas
  1. 01Observar
  2. 02Perguntar
  3. 03Exemplificar
  4. 04Realinhar
  5. 05Ancorar
Leitura completa · cerca de 10 minutos
Caso você seja alguém curioso e detalhista, além de fazer questão de passar pela experiência completa que o mentor idealizou para te guiar pela explicação sobre do Método OPERA, continue descendo a página.
Resumo · cerca de 2 minutos
Caso você queira só entender a mecânica do Método OPERA, o resumo entrega como cada etapa funciona.
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Antes das etapas

As três figuras

As cinco etapas do Método OPERA, ancoradas nas três figuras que lhes dão forma e sentido.

Malha ortogonal do Graticolato Romano, com um quadrado marcado em azul lápis
Um traçadoO Graticolato Romano, a malha que agrimensores romanos traçaram sobre uma planície do norte da Itália para ordenar a terra antes de ocupá-la.
01 · 02Observar · Perguntar
Volume encadernado em couro, de formato pequeno e em pé, com nervuras e douração na lombada, onde se lê VIRGILIUS ALDI
O livro portátilImpresso em Veneza, pequeno o bastante para acompanhar você em qualquer lugar.
03Exemplificar
Uma letraO ícone da NOVIDARO.
04 · 05Realinhar · Ancorar

Duas nasceram no Vêneto, separadas por quinze séculos, mas por poucos passos no mapa; a terceira não é herança, é assinatura, e nasce nesta página. Na ordem em que aparecem, as três contam exatamente o que o método faz: primeiro se lê o terreno, depois se recebe o que outros já viveram, por fim se aprende a se sustentar sozinho.

Há uma linha costurando as três, e ela não é sobre pressa: é sobre a hora certa. Medir antes de ocupar, entender antes de aconselhar, firmar o pé antes de subir.

“Não criei o método para engessar conversas. Criei para garantir que cada sessão faça você enxergar o que ainda não está claro, e que cada ciclo transforme essa leitura em prática.”

Murilo Pachioni · mentor
Ato I ·
Observar & Perguntar
2 etapas · 01 · 02

Um traçado · o Graticolato Romano

Há cerca de dois mil anos, no século I a.C., antes de ocupar a planície a nordeste de Pádua, os romanos fizeram algo que hoje parece óbvio e, na época, era uma novidade: medir e dividir a terra antes de ocupá-la.

Os agrimensores traçaram sobre o território uma malha ortogonal, o graticolato: dois eixos principais em ângulo reto.1 A malha vinha antes de qualquer estrada, casa ou plantação: primeiro a ordem, depois a ocupação.

O desenho funcionou tão bem que ainda está lá: vinte séculos depois, as estradas e as divisas da região continuam seguindo as mesmas linhas. No coração dessa malha fica Borgoricco, que hoje abriga o museu dedicado à centuriação romana.

As duas primeiras etapas do método fazem com o seu contexto o que os agrimensores fizeram com a planície. Observar reconhece o terreno. Perguntar traça as linhas que o organizam.

DECVMANOCARDOCENTVRIA · 20 × 20 ACTVS · ~710 M DE LADO
O graticolato romano · a malha antes da ocupação, Borgoricco no centro

Um mapa do ambiente, antes da rota.

Observar

O que muda para você

Você passa a se ver de fora, e um incômodo difuso vira um quadro que dá para analisar. É a inteligência emocional virando prática: reconhecer a própria reação, e a dos outros, a tempo de escolher o que fazer.

A etapa de leitura. O mentor observa o seu contexto: ambiente, momento de carreira, padrões de comportamento e o que a organização valoriza de fato. Antes de qualquer conselho, o quadro precisa estar legível.

Exemplo de aplicação

Montamos juntos o mapa do seu ambiente: quem decide, quem influencia, onde estão os riscos e onde está a sua margem de manobra.

premissa

Ler o contexto antes de agir, na linha das funções de mentoria descritas por Kathy Kram (Mentoring at Work, 1985).

Perguntar

O que muda para você

Você identifica o problema certo, e a decisão difícil se simplifica quando a pergunta está bem colocada.

Perguntas que estruturam o problema antes de qualquer resposta. O objetivo não é testar você, e sim separar o essencial do acessório e expor premissas que passavam despercebidas.

Exemplo de aplicação

Diante de um convite para assumir um time ou mudar de área, as perguntas separam o desconforto com a posição atual da atração real pela nova: são problemas diferentes, com decisões diferentes.

premissa

Perguntar antes de responder: o método socrático a serviço do diagnóstico, para entender o problema certo, não para testar você.

Ao fim destas duas etapas, a situação deixou de ser paisagem: virou mapa. Mas um mapa mostra onde você está; ele não caminha por você. Para o passo seguinte, é preciso descer a planície até Veneza.

Ato II ·
Exemplificar
1 etapa · 03

O livro portátil · a marca aldina

Quinze séculos depois do graticolato, a pouca distância dali, um editor chamado Aldus Manutius (c. 1450–1515) mudou a forma de se lidar com o conhecimento.

Até então, os livros eram volumes grandes e pesados, que exigiam mesas para serem manuseados. Em 1501, a prensa de Aldus publicou o livro Opera de Virgílio em formato in-oitavo, o primeiro de uma série conhecida como libelli portatiles, livros portáteis.2 O conhecimento, que antes exigia ir até ele, passou a viajar nas mãos de quem lê.

Exemplificar faz isso com o repertório executivo. O mentor não entrega teoria de prateleira: transfere situações vividas, práticas testadas e modelos de ação diante de um problema real. Uma experiência que passa a ser sua, adaptada ao seu estilo. Repertório portátil, como o livro de Aldus.

A partir de 1502, Aldus passou a imprimir nos volumes o seu emblema, um golfinho enrolado numa âncora, com um lema em latim: festina lente, apressa-te devagar.3 Não é elogio à lentidão. O golfinho é a velocidade; a âncora, a firmeza; o lema pede as duas coisas ao mesmo tempo.

Marca tipográfica de Aldus Manutius: um golfinho enrolado numa âncora, ladeado pelas letras AL DVS, em xilogravura original
A marca aldina · o golfinho e a âncora de Aldus Manutius

Repertório portátil. Em itálico, como manda a tradição.

Exemplificar

O que muda para você

Você ganha opções de ação que não tinha, sem virar cópia de ninguém.

O mentor transfere repertório executivo na hora em que ele faz diferença: situações vividas, práticas testadas e modelos de ação aplicáveis ao seu caso, não teoria de prateleira.

Exemplo de aplicação

Antes de uma conversa difícil, com um par, com a liderança sênior ou com alguém do seu time, ensaiamos: estrutura, linguagem, antecipação de reações e o que fazer se ela sair do roteiro.

premissa

Transferir experiência vivida no momento certo: ensinar mostrando como se faz, e não apenas dizendo. É o que a tradição de mentoria chama de showing (Aubrey e Cohen, Working Wisdom, 1995).

Mapa lido, repertório recebido. Falta o que nenhum objeto emprestado resolve: a direção que você escolhe e o que permanece de pé quando o mentor sai de cena. O terceiro objeto não vem de Roma nem de Veneza. Ele está na assinatura desta página.

Ato III ·
Realinhar & Ancorar
2 etapas · 04 · 05

Uma letra · o N de assinatura

Olhe o N da NOVIDARO com atenção. A haste da direita não termina onde as outras terminam: ela estabelece um novo patamar de altura, sustentada por si mesma.

Não é acaso. É o desenho do resultado que o método persegue.

Realinhar transforma o mapa em direção: decisões tomadas, prioridades ordenadas, próximos movimentos com marcos observáveis. Ancorar firma o que funcionou até que se sustente sem o mentor.
É aqui que a âncora de Aldus cumpre a promessa: firmeza não é o contrário de movimento, é o que torna o movimento seguro. É também a forma que a resiliência assume aqui: não é aguentar mais, é voltar a decidir bem depois do revés. Ancorado embaixo, você sobe além da linha anterior sem cair.

É o ponto em que a haste passa da linha e se mantém no alto por conta própria.

O N da NOVIDARO · a haste que estabelece um novo patamar

A haste que se sustenta sozinha.

Realinhar

O que muda para você

Você sai da sessão com um plano acionável e critérios que consegue defender.

Leitura e repertório viram direção concreta: decisões tomadas, prioridades ordenadas e próximos movimentos definidos, com marcos observáveis.

Exemplo de aplicação

Um plano para os próximos noventa dias: o que priorizar, o que recusar, quais conversas ter e em que ordem.

premissa

Transformar leitura em direção concreta, com marcos observáveis.

Ancorar

O que muda para você

Você mantém o que construiu quando o ciclo termina. Não depender do mentor não é efeito colateral: é o objetivo declarado.

O avanço é consolidado em prática sustentada. O que funcionou vira hábito; o que não funcionou é revisto sem drama. É a etapa que impede o ciclo de evaporar.

Exemplo de aplicação

Na revisão de ciclo, comparamos o comportamento observável de hoje com o do início: o que mudou, o que se sustenta sem o mentor e o que ainda precisa de atenção.

premissa

Consolidar o aprendizado e devolver autonomia: a fase de redefinição descrita por Kathy Kram (Mentoring at Work, 1985).

Observar · Perguntar · Exemplificar · Realinhar · Ancorar

Em latim, opera é o plural de opus: as obras, e o trabalho que as produz.

“Mantenha-se curioso por mais tempo, vá para a ação e dê conselhos um pouco mais devagar.”

Michael Bungay Stanier · The Coaching Habit, 2016

A frase resume o livro: transformar a pergunta em hábito e segurar o impulso de resolver antes de entender, o que Stanier batizaria de “monstro do conselho” em The Advice Trap (2020). O lema de Aldus chega ao mesmo lugar pela porta oposta: festina lente não elogia a lentidão; pede o golfinho e a âncora juntos, velocidade firmada em algo sólido. Stanier segura o impulso de aconselhar; Aldus, o de correr sem lastro. O método pratica os dois: entende devagar para agir com firmeza, sem desabar.

Por trás das metáforas

Fundamentos

As metáforas servem à memória. A base vem de outro lugar: da prática e de um corpo de conhecimento consolidado. O Método NOVIDARO é próprio, e estas são algumas das obras com as quais ele dialoga.

Kathy Kram · Mentoring at Work, 1985

A base acadêmica do campo. Descreve as funções que um mentor cumpre e as fases pelas quais a relação passa, da iniciação à redefinição, quando o mentorado já não depende do mentor. Ancora Observar e Ancorar. Somente em inglês.

David Clutterbuck · cofundador da EMCC Global

A escola do developmental mentoring: o mentor usa experiência para que o mentorado cresça e siga sem ele, em vez de usar poder para promovê-lo. Ancora o objetivo do método inteiro.

Robert Aubrey e Paul Cohen · Working Wisdom, 1995

Descrevem as técnicas do mentor, entre elas o showing: ensinar mostrando como se faz, e não apenas dizendo. Ancora Exemplificar. Somente em inglês.

Michael Bungay Stanier · The Coaching Habit, 2016

Defende conter o impulso de responder e sustentar a pergunta por mais tempo. Ancora Perguntar. Edição em português: Faça do coaching um hábito, Sextante, 2019.

Lois Zachary e Lisa Fain · The Mentor’s Guide, 3ª edição, 2022

Tratam a relação como centrada no aprendiz, não no mentor, e o encerramento como etapa planejada, não como fracasso. Ancora Ancorar. Somente em inglês.

W. Brad Johnson e Charles Ridley · The Elements of Mentoring, 3ª edição, 2018

Condensam a pesquisa empírica sobre mentoria em práticas verificáveis, do início ao encerramento da relação. Somente em inglês.

Paul Anwandter · Manual de Mentoring Profissional, 2018

Leitura prática em português, do presidente da EMCC Latam. Edição em português publicada no Chile, sem edição brasileira.

Primeiro movimento

Comece pelo traçado.

A primeira conversa serve para isso: entender o seu terreno antes de qualquer conselho.

Agende uma conversa
Rigor devido

Notas históricas

  1. A centuriação a nordeste de Pádua, o chamado graticolato romano, é datada da segunda metade do século I a.C. e está entre as mais bem preservadas da Itália: a malha ainda orienta estradas e divisas da região. Borgoricco, no centro da malha, abriga o Museo della Centuriazione Romana. Cada centúria media vinte por vinte actus, cerca de 710 metros de lado.
  2. Aldus Manutius publicou o Virgílio em formato in-oitavo em Veneza, em 1501, marco da série dos libelli portatiles. O tipo itálico usado nessas edições foi gravado por Francesco Griffo, cujos tipos romanos serviram de referência aos punções de Claude Garamond no século XVI. A fonte usada nesta página é a EB Garamond, revivência digital dos romanos de Garamond, a partir do espécime Egenolff-Berner de 1592, que descende dessa linhagem. O itálico vem de outra mão: baseia-se nos tipos de Robert Granjon, e o que o liga a Aldus é a invenção do itálico como recurso, não o desenho das letras.
  3. O emblema do golfinho enrolado na âncora, com o lema festina lente, identifica as edições aldinas a partir de 1502. Segundo a tradição, a imagem teria chegado a Aldus por uma moeda romana antiga, presente do humanista Pietro Bembo: o golfinho pela velocidade, a âncora pela firmeza.